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Assertividade: Acerte o alvo com equilíbrio.

Assertividade: Acerte o alvo com equilíbrio. Comentar

Atualmente o mercado de trabalho e o convívio social tem exigido importantes características pessoais que melhoram os relacionamentos em diversas áreas. Uma palavra que se tem ouvido muito é a assertividade que consiste em ser direto sem ser ofensivo. É importante entender melhor esse comportamento, sua origem e como ele pode contribuir para o sujeito e as pessoas ao redor dele.

Ser assertivo é o modelo que deve permear as relações, pessoas com esse atributo agem com clareza, segurança e, principalmente, com equilíbrio, inclusive nas circunstancias conflituosas.

Quando falamos em assertividade logo pensamos naquelas pessoas que “sempre acerta” e que possuem aquele “jogo de cintura” para lhe dar com varias situações do dia a dia. No entanto isso não é ser assertivo. A pessoa assertiva é aquela que sabe se afirmar. Assertividade é sinônimo de habilidade social, onde o indivíduo defende seus direitos pessoais, expressa pensamentos, sentimentos e crenças de forma honesta, direta e apropriada, sem violar os direitos da outra pessoa. É agir de forma socialmente adequada na expressão verbal, motora e emocional.

A assertividade está ligada diretamente com a autoestima, autoconceito e autoconfiança proporcionando ao individuo uma melhor qualidade de vida, relações pessoais mais gratificantes, maior realização pessoal e sucesso profissional.

O mercado de trabalho tem buscado pessoas com esse perfil, pois são profissionais que alcançam os resultados almejados, possuem habilidades de envolver a equipe conquistando apreciação e respeito da mesma, pois conseguem equilibrar a satisfação de suas necessidades com as necessidades dos outros. Sua autoconfiança e autoestima são fortalecidas e ficam menos estressados, são sempre indicados para qualquer função exceto quando a hora for errada; quando o resultado não valer a pena. (Gillen, 2001)

Esse conceito parece um tanto utópico, será que existem pessoas e profissionais com tais habilidades? Será que posso me tornar assertivo?

Para responder a esses questionamentos é necessário primeiramente identificar e entender os comportamentos não assertivos. Esses comportamentos são:
• Passivo – Preocupação com a opinião dos outros a seu respeito, espera que as pessoas compreendam o que ele deseja, ansiosos por evitar o confronto. Geralmente possui fala confusa, atitude defensiva, voz hesitante, esta sempre se culpando, se justificando e sede facilmente.
• Agressivo – Mais preocupado com os próprios desejos, ansioso por vencer, mesmo a custa de outros. Possui postura evasiva, voz alta, seca. Usa de sarcasmo, criticas, joga a culpa nos outros, interrompe com frequência. Autoritário, suas solicitações parecem ordens.
• Passivo/Agressivo – Apresenta comportamento misto. Ansioso em acertar contas sem correr riscos de confronto. Quer afirmar-se sem ter poder para tanto. É irônico, faz chantagem emocional, distorce as palavras dos outros.
• Assertivo – Defende seus direitos, mas, ao mesmo tempo é capaz de aceitar os direitos dos outros. Ouve bastante, procura entender, trata as pessoas com respeito, aceita acordos, declara suas intenções indo direto ao ponto é perseverante.

A maioria das pessoas não apresenta apenas um tipo de comportamento, eles oscilam dependendo de quão fortes ou dominantes se sintam em uma situação determinada. É comum observarmos pessoas que após determinadas situações se sintam frustradas por não terem sido assertivas, e essa aparente falta de sucesso e eficácia traduz-se rapidamente em um automenosprezo por seus defeitos e debilidades. O que ocasiona a baixa autoestima gerando outro comportamento inadequado, que gera reação negativa nas outras pessoas, fortalecendo os sentimentos de menos valia, é um ciclo cognitivo comportamental que vai se tornando uma bola de neve.

É necessário ter consciência que é preciso mudar, de que esse ciclo precisa ser quebrado. Qualquer pessoa pode se tornar assertiva, porem essa necessidade de mudança tem que partir do próprio indivíduo. O resultado da assertividade é tornar-se autentico – ser você mesmo, é alcançar a felicidade por meio do autoconhecimento associado à autoestima equilibrada.

Muitas pessoas são assertivas em determinadas situações porem estão com a autoestima tão fragilizada que só enxergam os comportamentos não assertivos. Esse foco no negativo acaba diminuindo a probabilidade de assertividade.
Avalie-se e procure ser assertivo, isso requer treino.

Diante de acontecimentos do dia a dia, antes de tomar uma atitude, pare e pense, reflita descubra a melhor maneira de agir, sempre procurando colocar-se no lugar do outro. Assim, sua forma de agir e verbalizar passarão a ser mais adequada consigo mesmo e com o mundo ao seu redor. Perceba que ao mudar seu comportamento, as pessoas com quem se relaciona também o farão. Isso proporcionará relações muito mais saudáveis e prazerosas.

Dentre muitas técnicas utilizadas para o desenvolvimento desse comportamento a Psicoterapia Cognitiva Comportamental tem sido muito eficiente, o treinamento assertivo é feito pela orientação ao paciente para emitir respostas adequadas em situações especificas ou pelo ensaio comportamental, a prática assertiva inclui a expressão de afetos e opiniões de modo direto e a conquistara de um tratamento justo, igualitário e livre de demandas abusivas.

O caminho traçado para despertar esse comportamento no paciente leva-se em consideração desde o início da psicoterapia, o foco, a partir da queixa do indivíduo, os comportamentos por ele expressados, fazendo uma Análise Funcional, percebendo suas crenças, regras, visão de mundo, buscando como o mesmo, traçar um caminho de crescimento, fortalecendo suas qualidades e habilidades, proporcionando momentos de descobertas e vivências acolhedoras, motivando a uma autoestima que lhe assegure uma vida com o mínimo de sofrimento.

A realização do processo terapêutico pode ser uma oportunidade para o paciente adquirir e desenvolver novos repertórios comportamentais e novas crenças. Esses são importantes para os indivíduos, pois desta forma o relacionamento intrapessoal e interpessoal tende a ser mais funcional, possibilitando assim, um crescimento pessoal, e uma tendência do sujeito de se sentir mais seguro e capaz para enfrentar os seus problemas cotidianos.

Além do conhecimento sobre as formas de comportamento, o conceito de “condicionamento” desempenha papel fundamental dentro desta abordagem. Este conceito traz a ideia de que os comportamentos são mutáveis, ou seja, que a partir de mudanças nas condições do ambiente podem ser alterados.

O treinamento do comportamento assertivo tem o objetivo de ensinar ao paciente formas socialmente adequada de expressão verbal e motora de qualquer emoção diferente de ansiedade. O principio teórico pressupõe que comportamentos de preocupação e medo são aprendidos a partir da interação como modelos autoritários durante o desenvolvimento e inibem as respostas espontâneas e naturais, evita contatos visuais diretos e teme apresentar suas opiniões aos outros. (RANGÉ, 2001).

O treinamento assertivo é feito pela orientação ao paciente para emitir respostas adequadas em situações especificas ou pelo ensaio comportamental, que é o procedimento típico para o treino da assertividade. (RANGÉ, 2001).

Muitos do pacientes que chegam na clinica para trabalhar a assertividade trazem junto a falta de habilidade social, a maioria das vezes as duas estão entrelaçadas.

A habilidade social é a capacidade de emitir respostas eficazes e adequadas à situação específicas.

As dificuldades sociais apresentadas são especificas de cada paciente, requerendo do terapeuta uma avaliação individual para identificar as situações mal-administradas e o padrão de respostas disfuncional emitida para, então, planejar uma intervenção personalizada.

Ensinam-se comportamentos específicos, que no andamento da terapia são praticados e integrados ao repertório comportamental do individuo. Como exemplo: iniciar e manter conversações, falar em público, expressar amor, agrado o afeto, defender os próprios direitos, pedir e receber favores, recusar pedidos, aceitar e fazer elogios, desculpar-se e aceitar críticas, sorrir e fazer contato visual, expressar opiniões pessoais, mesmo divergentes e desagrados, etc.

Durante o treinamento, é importante diminuir os níveis de ansiedade do paciente e identificar o contexto e a categoria de pessoas diante dos qual o comportamento é esperado.

Há pelo menos quatro contextos sociais específicos que devem ser avaliados e incluídos no treinamento: com estranhos, com amigos, com parentes ou em interação social e no trabalho ou na escola.

Se você sente que dificuldades nas habilidades sociais ou no comportamento assertivo procure auxílio de um profissional, e tenha uma vida satisfatória.

Darla Lopes, Psicoterapeuta Cognitivo-Comportamental. CRP: 08/15418

Bibliografia
Rangé, Bernard (org.) (2001) Psicoterapias cognitivo-comportamentais: um diálogo com a psiquiatria. Porto Alegre: Artmed.
Gillen, Terry. (2001) Assertividade, tradução Edith Nicole Laniado. São Paulo: Nobel.

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